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103 anos da morte do primeiro arcebispo de Cuiabá

103 anos da morte do primeiro arcebispo de Cuiabá

A Igreja Católica de Mato Grosso reza, neste dia (09), pela alma do primeiro arcebispo da Arquidiocese de Cuiabá, Dom Carlos Luiz D’amour. Há 103 anos perdíamos o predecessor de Dom Aquino Correia.

Dom Carlos foi o segundo bispo da Diocese de Cuiabá, era maranhense e foi criado por uma tia materna, logo na primeira infância, após ficar órfão. Com uma trajetória intensa e marcada pela dedicação ao ensino, à fé e à justiça social, ele deixou um legado não só para Cuiabá, mas também para o país. Dom Carlos mudou-se para a Bahia e lá foi nomeado mestre de cerimônias do sólio primacial. No ano seguinte, tornou-se professor de francês no seminário arquiepiscopal. Sua competência e dedicação o levaram a ascender na hierarquia eclesiástica, tornando-se cônego, monsenhor e vigário capitular.

Dom Carlos esteve no casamento das princesas Isabel e Leopoldina, e em Roma durante o Concílio Vaticano I. Em 1870, foi agraciado com o título de camarista do Papa Pio IX.

Foto:> Almanaque de Cuyabá

Elevado a bispo de Cuiabá pela Princesa Regente Isabel, Dom Carlos chegou à diocese de Mato Grosso em maio de 1879. Encontrou uma região em necessidade de reconstrução e reformas, tanto físicas quanto espirituais. Em sua primeira Carta Pastoral, conclamou os párocos a serem “sentinelas” da religião católica, enfatizando a importância de suas funções na regeneração da sociedade e no combate às ideias liberais.

O bispo foi o responsável pelo Asilo Santa Rita, que acolhia meninas em estado de vulnerabilidade. Esteve à frente da remodelação de várias igrejas, trabalhou arduamente na construção do Santuário Eucarístico Nossa Senhora do Bom Despacho e intermediou a vinda da Missão Salesiana em Mato Grosso.

A pedido de Dom Carlos, os salesianos liderados por Luiz Lasagna chegaram a Cuiabá para auxiliar no trabalho pastoral e na evangelização dos índios bororos, mostrando seu compromisso com a expansão da fé e o apoio às comunidades indígenas. Assim, também, foi a chegada das Irmãs Filhas de Maria Auxiliadora.

No contexto da época destacamos um país que lutava contra a escravidão. O bispo promovia a alforria e fuga de escravos com a ajuda da Irmandade do Rosário, destacando que a escravidão já havia sido condenada pela moral católica antes de ser pela história e pela civilização dos povos.

O episcopado de Dom Carlos coincidiu com um período de intensas transformações no Brasil. Dom Carlos manteve uma postura firme e intransigente na defesa da doutrina e dos direitos da Igreja, confrontando autoridades governamentais, imprensa, lideranças espíritas, etc.

Outra ação memorável de sua época foi a criação do Jornal A Cruz, importante veículo de comunicação da Igreja Católica em Mato Grosso. Dom Carlos foi eleito sócio correspondente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, em 1892, e honorário em 1901. Além disso, foi autor de 40 cartas pastorais, deixou um vasto legado literário e espiritual, será sempre lembrado por sua dedicação à Igreja em Cuiabá e no Brasil.

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